quinta-feira, 20 de maio de 2010

Vermelho

Diz-me, meu amor
Diz-me, por favor

Da paixão o vermelho é a cor
Mas do vermelho é qual a cor?

Diz-me, não te cales
Diz-me, mas não fales

Dos teus silêncios surdos
O vermelho é a cor
Mas do vermelho
É qual a cor?

Diz-me, não entendo
Diz, não tenhas medo

Da tua ira
O vermelho é a cor
Mas do vermelho
É qual a cor?

Diz, se é segredo
A mim podes dizer

Do Amor
O vermelho é a cor
Mas do vermelho
É qual a cor?

Não é segredo nenhum
Eu digo, sem medo algum

O vermelho
É do vermelho
É da tua paixão
É dos teus silêncios
É da tua ira
É do nosso amor
É da cor do vermelho.

Sameiro Ramos

Definições

Uma gargalhada é
Uma nota isolada

Uma nota isolada é
Um raio de sol

Um raio de sol é
Um alegre bom dia

Um alegre bom dia é
Um sorriso
Um sorriso é
Uma porta aberta

Uma porta aberta é
Uma gargalhada

Uma gargalhada é
Uma nota isolada

Sameiro Ramos

Concerto à Mãe…

Mãe,
Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas…
Deixa-me falar-te…
Deixa-me dizer-te o que eu pensei:
Quando eu nasci, tu, esquecida das dores,
Embrulhaste-me nos teus braços, xaile de amor,
E logo no meu berço, nu e pequeno, me deixaste…
E assim fui aprendendo a respirar fora de ti…
Sabes, mãe, as minhas pernas cresceram,
Já não sou o retrato adormecido do embalo dos teus braços,
Saí da moldura!
O meu corpo cresceu… viajei… saciei a minha sede…
E até o meu coração ficou enorme…
Mas tu sabes, mãe, não me esquecerei de ti,
Guardo a tua voz dentro de mim.
Mãe não tem limite, é luz que não se apaga.
Diz que me vês ainda, que me queres.
Leva-me à nuvem mais alta,
Leva-me ao fim do mar.
Aí é tão fácil ver sem qualquer névoa
A cor da inquietação e as mãos do medo.
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça,
Ai quem me dera voltar a sentir-te assim!
Fosse eu senhor do mundo
Impunha uma lei:
Mãe ficará sempre junto do seu filho!

António Azevedo, Cristina Fernandes, Gracinda Amaro, Sameiro Ramos

Carta

Há muito tempo, sim, que não te escrevo.
Perdidos, esquecido em baús os sonhos, as crenças e fantasias de criança.
Há muito tempo, sim, que não mais adormeço na ânsia de uma nova manhã.
Envelheci. Segunda, terça, …, sábado, domingo.
Segunda, terça, quarta, …a vida gira e volta e torna a girar…
Nestas voltas e reviravoltas, deixei de ver-te, perdi – te.
Hoje, apenas te vislumbro vagamente em azul manhã, em dia incerto.
Agora, és, somente, negativo esquecido, foto nunca revelada,
do futuro que um dia tive.

Sameiro Ramos

«O Coro dos Filhos da… Nação»

Somos cândidos filhos da Nação
Legítimos, eleitos por bons cidadãos
Tão útil é a nossa missão
Imprescindível à corrupção

Andrajosamente trajados
Hugo Boss, Armani ou Channel fiados
E enfiados em Porsches e Lexus
Percorremos árduos caminhos gemendo e chorando…
Noutro vale de lágrimas, no cumprimento
Patriótico de tão nobre missão!

Às armas… Às armas… Em leitos secretos e conjurados
Venham a nós Heróis e Musas, para tão sublime serviço recompensar.

Lá fora o sol brilha
Entre sombras da memória
O vento sopra rumores de conjuras ilusórias
Nossas vidas rumorejadas nos medias
Vemo-las constantemente escrutinadas…
Querendo - nos à força martirizar,
Contra esses «Már(io)s», Marchar… Marchar!

António Azevedo, Cristina Ferandes, Gracinda Amaro, Sameiro Ramos

Primavera

A Primavera

Feliz e alegre
Vem a Primavera!

Cheirem!
Vem de verde,
Traz perfumes de laranjeira,
Rosas na algibeira

Vede!
Esqueceu o chapéu
Traz os cabelos ao leu
E o sol como troféu!

Sintam!
Alegria quer partilhar
E felicidade distribuir

Vivam…
Feliz e alegre vem a Primavera!


Sameiro Ramos

Faz de conta

Faz de conta que sou o sol
Eu serei a tua sombra

Faz de conta que sou o sol
Eu serei a tua clave

Faz de conta que sou o sol
Eu serei o lá

Faz de conta que sou o sol
Eu serei a lua

Faz de conta que sou o sol
Eu serei o mar

Faz de conta… faz de conta

Sameiro Ramos

O Mar

Quem és tu, ó Mar?
Ó mar salgado,
Não sei de que cor é essa linha
Quero o teu nome inscrito nas marés
De todos os cantos do mundo
Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
Nas vastas águas que as remadas medem
Donde vem essa voz, ó mar amigo?
De marinheiros, cavaleiros errantes ao luar.
Falas de caravelas encantadas a soluçar!
Ah! Tudo era claro!
O mar estava perto…
Sabíamos do mar sem o sabermos,
Do mar dos mapas, da rebentação das ondas.
Sentíamos o mar sem o sentirmos!
Não sei!
Dança aí junto ao mar!
Singra o navio ao cair da noite.
Sente-me à mercê das falésias…
Sente-me … Deixa contar
Era uma vez…

António Azevedo, Cristina Fernandes, Gracinda Morais, Sameiro Ramos

Concerto à Poesia

Que é poesia?
Fala, poesia
Mas que querem?

Todo o tempo é de poesia…
É construir universos
Desde a arrumação do caos
À divina perfeição.
É um misto de oração e de feitiço
Não se riam
E vereis o universo
Mais próximo da paz
Caber na linha dum verso!
Basta que os poetas queiram alinhar.

Que é o poeta?
Poeta sou eu.
Ouve-o atentamente.
Sou um homem que,
Desde a quentura do ventre,
À frigidez da agonia
Olho-me, comovo-me
Com coisas de nada:
Um pássaro que canta
Uma mulher bonita que passou
Um pai que olhou desvanecido para o filho pequenino
Um bocadinho de sol depois de um dia chuvoso…
E resta saber olhar!
A terra toda que varia
E a minha vida está completa.

António Azevedo, Cristina Fernandes, Júlia Ferreira, Sameiro Ramos

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Definições

A chuva é
Um violino que embala

Um violino é
A poesia feita de música

A poesia é
O silêncio dentro de mim

O silêncio é
Uma ave branca

Uma ave é
Vida libertadora

A vida é
Chuva persistente

A chuva é
Violino que embala

(Fernanda - 15/5/2010)

Definições

A chuva é
Um violino que embala

Um violino é
A poesia feita de música

A poesia é
O silêncio dentro de mim

O silêncio é
Uma ave branca

Uma ave é
Vida libertadora

A vida é
Chuva persistente

A chuva é
Violino que embala

(Fernanda - 15/5/2010)

A cor do amarelo

A COR DO AMARELO


Diz-me, meu amor
Diz-me, por favor

Da bondade
O amarelo é a cor.
Mas do amarelo
É qual a cor?

Diz-me, não te cales
Diz-me, mas não fales

Das tuas faces
O amarelo é a cor.
Mas do amarelo
É qual a cor?

Diz-me, não entendo
Diz, não tenhas medo

Da partilha
O amarelo é a cor.
Mas do amarelo
É qual a cor?

Diz, se é segredo
A mim podes dizer

Do Fafe
O amarelo é a cor.
Mas do amarelo
É qual a cor?

Não é segredo nenhum
Eu digo, sem medo algum

O amarelo – é
Da bondade
Das tuas faces
Da lucidez
Do Fafe
Pois só o amarelo
É do amarelo a cor.

Cristina Fernandes

defenições

O sol é
Uma nota musical

Uma nota é
Uma flor sublime

Uma flor é
Um ornamento poético

Um ornamento é
Uma criança alegre

Uma criança é
Uma candura sem fim

Uma candura é
Um manto de neve

Um manto é
O aconchego de um abraço

O sol é
Nota musical

Cristina Fernandes

Carta ao meu avozinho

Há muito tempo, sim, que não te “escrevo”.
Ficaram velhas todas as notícias.
Procurei-te, nos meus sonhos…
Suspirei…murmurei o teu nome…
Não te encontrei! Partiste para a eternidade.
O tempo passou, cresci, tornei-me mãe.
Perdura a saudade, dos momentos em que me instruíste
A apanhar a azeitona, a trabalhar a terra…
A apreciar o chilrear dos pássaros, a beleza da natureza.
Guardo no meu coração, as nossas conversas de avô e neta.
Abençoo-te pelos valores que me ensinaste: respeito, coragem, honestidade,
Bondade para com o próximo…
Serás sempre o meu ídolo, o meu herói, meu querido avozinho
Quando adormeço, estás sempre junto a mim…
Ao despertar, sinto-me feliz, por ainda fazeres parte de mim…
Sei que um dia, nos iremos reencontrar e recordar esses belos momentos!
Cristina Fernandes

O Verão

Radiante, radiante, radiante
Chegou o Verão

Vem despido de preconceitos
Traz consigo, óculos de sol, ao peito
Com imensa luz cintilante
Parece um viajante

Esqueceu o Inverno
O seu irmão fraterno
Nem o procurou
Simplesmente celebrou

Os veraneantes chegaram
Rapidamente o saudaram
Com tanta simpatia
Os corações transbordam de alegria

Radiante, radiante, radiante
Chegou o Verão

Cristina Fernandes

faz de conta

Faz de conta que sou girassol
Eu serei somente teu sol

Faz de conta que sou Bob Marley
Eu serei apenas reggae

Faz de conta que sou sereia
Tu serás o eterno marinheiro

Faz de conta que sou flor
Eu serei teu amor

Magia voando voando
Sobre ti incessantemente
Faz de conta, faz de conta.

Cristina Fernandes

A Sereialogista



A Sereialogista

Detesto que os adultos me perguntem
«O que é que queres ser?»
Detesto que me falem lá do alto
Tão alto
Que mal os consigo ver.


E eu respondo-lhes:
Desejo ser sereialogista
Estudar os poderes encantadores das sereias,
Conhecer o seu mundo maravilhoso
Mergulhar, à noite, nas águas tépidas do Mediterrâneo,
Quero aprender a sua linguagem,
Conquistar um marinheiro honroso,
E, levá-lo para a minha paragem.

E eles ficarão muito satisfeitos com o meu futuro
E eu pedirei licença para sair
Porque tenho à minha espera um Ulisses.


Cristina Fernandes

«Os meus três anjinhos são a minha doçura».



Os meus três anjinhos, são a minha doçura,
Juntos, partilhamos sonhos com ternura, amizade, carinho e alegria,
Ao sabor de um delicioso chocolate quente,
Contemplamos a paz do mar e respiramos a maresia!
Juntos, sempre juntos, esquecemos os dias de nevoeiro e de solidão,
Procuramos, em cada dia… a gentil Primavera,
No céu azul da nossa terra!

Cristina Fernandes

terça-feira, 18 de maio de 2010

O Olhar do céu

Uma estrela é
O olhar do céu

O Céu é
O leito do pássaro

O pássaro é
O som da Primavera

A Primavera é
O nascer do amor

O amor é
A essência da vida

A vida é
O brilhar de uma estrela

Uma estrela é
O olhar do céu

Mónica Suarez

domingo, 16 de maio de 2010

Poema sem imaginação

Diz-me, meu amor
Diz-me, por favor

Do céu
O azul é a cor
Mas do azul
É qual a cor?

Diz-me, não te cales
Diz-me, mas não fales

Dos teus olhos
O azul é a cor
Mas do azul
E qual a cor?

Diz-me, não entendo
Diz, não tenhas medo


Do mar
O azul é a cor
Mas do azul
É qual a cor?

Diz, se é segredo
A mim podes dizer

Do meu clube
O azul é cor
Mas do azul
É qual a cor?

Não é segredo nenhum
Eu digo, sem medo algum

O azul – é da
Cor do azul,
Pois só o azul
É do azul a cor.

(Fernanda - 15/5/2010)

Definições

A chuva é
Um violino que embala

Um violino é
A poesia feita de música

A poesia é
O silêncio dentro de mim

O silêncio é
Uma ave branca

Uma ave é
Vida libertadora

A vida é
Chuva persistente

A chuva é
Violino que embala

(Fernanda - 15/5/2010)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Viagem

Viajo na maresia
Levada no nevoeiro
Delicioso, gentil, macio…
Cruzo a solidão do azul,
Em direcção à alegria,
Chego, enfim, à Primavera!

Mónica Suarez

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Gosto...Não Gosto

gosto de correr na praia. não gosto de barulho. gosto de ouvir os pássaros. não gosto de atrasos, de injustiça, de maldade. gosto de sossego. não gosto de falhar, de incompetência, de insucesso. gosto de férias na montanha. não gosto de música desafinada. gosto do Gerês. não gosto daqueles que maltratam a natureza. gosto do silêncio do mar e do silêncio das paisagens. não gosto de hipocrisia. gosto de abraçar os meus filhos e de sentir o seu calor e o seu cheiro. não gosto do barulho do trovão. gosto da música das guitarras tocads pelos meus filhos. não gosto de ver crianças a sofrer.
Luísa Sales e Conceição Barbosa