quinta-feira, 20 de maio de 2010

Concerto à Mãe…

Mãe,
Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas…
Deixa-me falar-te…
Deixa-me dizer-te o que eu pensei:
Quando eu nasci, tu, esquecida das dores,
Embrulhaste-me nos teus braços, xaile de amor,
E logo no meu berço, nu e pequeno, me deixaste…
E assim fui aprendendo a respirar fora de ti…
Sabes, mãe, as minhas pernas cresceram,
Já não sou o retrato adormecido do embalo dos teus braços,
Saí da moldura!
O meu corpo cresceu… viajei… saciei a minha sede…
E até o meu coração ficou enorme…
Mas tu sabes, mãe, não me esquecerei de ti,
Guardo a tua voz dentro de mim.
Mãe não tem limite, é luz que não se apaga.
Diz que me vês ainda, que me queres.
Leva-me à nuvem mais alta,
Leva-me ao fim do mar.
Aí é tão fácil ver sem qualquer névoa
A cor da inquietação e as mãos do medo.
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça,
Ai quem me dera voltar a sentir-te assim!
Fosse eu senhor do mundo
Impunha uma lei:
Mãe ficará sempre junto do seu filho!

António Azevedo, Cristina Fernandes, Gracinda Amaro, Sameiro Ramos

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